“Faça o que falo, mas não o que faço”?

Na década de 90, a axé music estava na moda e era impossível não ouvir seus “sucessos”. Nessa época, soube de um cristão dedicado, pai de duas meninas, que as havia alertado a respeito do grande conteúdo sexual inserido naquelas músicas e suas coreografias, em especial uma que falava para “segurar o tchan”.

Meses depois, aquela música ainda tocava muito nas rádios.

Um dia, durante um passeio, estavam no carro esse homem, a esposa ao seu lado e as duas filhas no banco traseiro, e sem que ele se desse conta, o hit baiano começou a tocar no rádio. Quando chegou no refrão, ele passou a cantarolar, dançando e dando uns tapinhas no volante, como se estivesse fazendo a coreografia da música, e ficou olhando pelo retrovisor para as meninas. A mais velha fechou o semblante e disse: “Papai, você não falou que não era para cantar essas músicas?”

Ele, percebendo o deslize, virou para sua esposa – que o amava e apoiava, e com quem havia combinado jamais contradizer o que um dos pais ensinara – com olhar de interrogação, do tipo “e agora?”. Ela com sabedoria lhe disse: “Você falou mesmo, e agora não pode retroceder na sua palavra. Faça o que tem que ser feito.”

Não tinha muito o que ser feito, pois ele advertira suas filhas para que não cantassem aquelas músicas. Qualquer desculpa acarretaria descrédito e perda da autoridade como pai e sacerdote. Só lhe restava uma saída. Sem graça, ele disse: “É verdade, eu falei mesmo que não era para cantar essa música. Errei. Vocês me perdoam?” A unânime resposta positiva desfez o clima de tensão, e seguiram seu passeio felizes.

Essa pequena história serve para mostrar que nossos filhos estão sempre observando se nossas atitudes condizem com o que lhes ensinamos. Não dá para usar aquela expressão hipócrita “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”. É preciso que o homem, como sacerdote do lar, viva fielmente o que ele próprio transmite a seus filhos. Isso é ser coerente e passa aos filhos a confiança que necessitam para seguirem na direção que lhes foi apontada, além de manter hígidos a autoridade e o respeito pelo pai.

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Um comentário para "“Faça o que falo, mas não o que faço”?"

  1. edeza dos santos rocha 26 de julho de 2011 às 10:19 pm 1

    Edu, gostei muito do seu blog, parabéns meu filho continue assim aprendendo, vivendo e passando para os seus filhos, tudo o que é de bom. Que deus te abençõe todos os dias de sua vida, para que voce seja um pai exemplar.


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