“As transferências de culpa terminam aqui!”

“As transferências de culpa terminam aqui!” Esta é a tradução para a famosa frase do 33º presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, gravada em uma plaqueta que permaneceu em sua mesa no Salão Oval durante seu governo.

Truman estava acostumado com o jogo de empurra-empurra dos políticos, mas com a plaqueta sobre a mesa indicava claramente que ali o truque não funcionaria. A verdade teria que ser dita, por mais dura que fosse.

Pôr a culpa no outro é uma estratégia tão antiga quanto a própria humanidade. Adão, quando questionado por Deus se teria comido do fruto proibido, rapidamente apontou Eva, a mulher que Ele lhe dera, como a responsável por sua falta. Eva, por sua vez, tratou de justificar, transferindo a culpa para a serpente, dizendo que esta lhe enganara.

A transferência da responsabilidade para outra pessoa nada mais é que autojustificação, uma maneira de se sentir bem consigo mesmo. Ninguém gosta de sentir culpa, pois é um sentimento ruim. Indica que ocorreu uma falha, um fracasso. Ocorreu um erro. E o ser humano odeia reconhecer que errou.

Edwin Cole ilustra isso em seu livro com a seguinte história:

Vejamos como esse processo está enraizado no ser humaho, através de um incidente corriqueiro que pode ocorrer no café da manhã em qualquer casa. Pai e filho estão sentados à mesa, e a mãe foi buscar alguma coisa na pia. Em dado momento, o menino vai pegar um pãozinho, esbarra na xícara e derrama café com leite na mesa. Imediatamente olha para o pai. Este encara-o com raiva, dá um tapa na mão dele e diz: “Quantas vezes já lhe falei para prestar atenção no que está fazendo?” É claro que o filho não responde nada, e começa a chorar. A mãe pega um pano e limpa a mesa.

Pois bem. Uma semana depois, temos o mesmo cenário. Dessa vez é o pai que, ao pegar o pão, esbarra em sua xícara de café e derrama um pouco na mesa. O garoto logo olha para ele, para ver o que vai acontecer. O homem fica irritado com a esposa e lhe diz: “Quantas vezes eu já lhe disse para não colocar essa xícara aqui?”

Ele se justifica transferindo a culpa para outra pessoa. E assim, pelo exemplo, ensina o filho a fazer o mesmo.

O comportamento de apontar um terceiro como o responsável pelo erro é bastante comum nas crianças. Lembro-me de ter aprendido, quando pequeno, que ao apontarmos o dedo para alguém, tinhamos outros três contra nós mesmos.


Jogar a culpa no outro não resolve o problema. É preciso que o homem assuma a responsabilidade por seus atos e busque a solução. Isto se aplica em todas as áreas da vida, como no casamento, no relacionamento com os filhos e nos negócios.

Um amigo, que chamarei de Cláudio, tinha alguns problemas que não conseguia resolver. A carreira estava estagnada e o casamento não ia bem. No trabalho, o chefe o impedia de ser promovido, e em casa a esposa o sufocava. Bem, era isso que ele dizia…

Certa vez, em uma conversa daquelas de homem para homem, perguntei a ele como iam as coisas. Ele respondeu: “Tudo na mesma. Meu chefe tem medo de me promover, pois sabe que eu domino o trabalho, e acha que eu sou uma ameaça. Em casa, minha mulher me cobra mais atitude, mas não dá tempo para eu pensar e decidir nada!”

Eu o conhecia bem, e sabia que de fato ele tinha muito conhecimento em sua área de atuação profissional, mas só isso não bastava para ser promovido. Faltava-lhe humildade. Cláudio trabalhava muito, porém com a motivação errada. Seu desempenho era acima da média, mas ele propositalmente  expunha seus colegas de trabalho, desestabilizando o ambiente com animosidades, e era isso que não agradava seu superior.

Em seu lar, Cláudio se esforçava para ser um bom marido. Pena que o vício da Internet tomava muito de seu tempo livre, que deveria ser dedicado ao relacionamento com a esposa e ao planejamento doméstico, principalmente sobre o controle das finanças assumido por sua mulher, que não suportava a inércia do marido na tomada das decisões. Ela não gostava de controlar as contas da casa, mas não havia outra alternativa, pois Cláudio permanecia estático, sem assumir a liderança que lhe cabia.

Cláudio não percebia, mas se autojustificava, tanto pelo insucesso profissional quanto pelos conflitos familiares. Ele precisava reconhecer seus erros.

Continuamos nossa conversa, e me esforcei muito para lhe dizer a verdade da maneira menos direta possível, para não parecer o dono da razão ou coisa parecida. Porém, a verdade era dura e precisava ser dita. Procurei então um jeito de apresentar os fatos como realmente eram, de modo que ele mesmo percebesse onde estava errando. E deu certo. Naquele dia, Cláudio se deu conta de como desperdiçava tempo na frente do computador, sendo negligente acerca dos assuntos do lar e alheio às finanças,  e o quanto isso incomodava sua esposa. Também percebeu que precisava mudar sua postura no trabalho, pois era isso que o impedia de progredir.

Nós perdemos o contato por alguns anos.  Encontrei Cláudio casualmente num shopping center, e ele me contou as novidades. Disse que após nossa conversa, procurou ajuda e se libertou do vício do computador. Também fizera um curso sobre finanças pessoais, ministrado por uma igreja, onde aprendeu sobre seu papel de provedor e líder do lar. Passou a controlar as contas diariamente, e isso agradou muito sua esposa, que se tornou mais amável. No trabalho, deixou de apontar as falhas de seus colegas e focou em melhorar não só a qualidade de seu serviço mas também do ambiente de trabalho. Surgiram oportunidades de promoção e seu esforço foi reconhecido. Finalmente se encontrara com o sucesso profissional.

Cláudio era um novo homem. Todas as áreas de sua vida estavam em curva ascendente. E tudo teve início quando ele parou de se autojustificar.

Homem, a solução dos problemas está em suas mãos. Não permita que a transferência de culpa o impeça de ser o líder de seu lar. Reconheça suas falhas e dê um basta na autojustificação. Se for necessário, coloque uma plaqueta em sua mesa, como fez Harry S. Truman!

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2 comentários para "“As transferências de culpa terminam aqui!”"

  1. Felipe 3 de outubro de 2014 às 11:59 pm 1

    opa muito bom o texto vou dar essa aula amanha em Hombridade que Deus te abençoe meu amigo

  2. Aldo de Assis Portolan 26 de junho de 2015 às 10:16 am 2

    Concordo plenamente com o texto acima.

    Porém haverão aqueles que por natureza de imbecil , não darão o mínimo para esse texto e esses
    serão sempre os fracassados.
    Cordialmente.
    Aldo de Assis Portolan.


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