Toca pra mim que eu resolvo!

camisa 10bNão existe um bom time de futebol sem pelo menos um craque.

Quando o jogo está complicado e a zaga está apertada pelo “adversário” (das nossas almas) a bola parece queimar nos pés dos jogadores. Essa é a hora do camisa 10 do time aparecer e dizer: toca pra mim que eu resolvo!

Pode ser que ele nem esteja num dia inspirado e até erre a jogada, mas a sua atitude firme e positiva diante do jogo faz toda a diferença e tranquiliza o time.

Se você é são-paulino é impossível ler isto sem lembrar do Raí. Os corintianos certamente se lembraram do Neto. Santista? Então você lembrou do Giovane (Pelé é hors concours).

Pois é, o futebol brasileiro já produziu uma lista tão grande de craques com este perfil que seria muito difícil lembrar de todos.

Mas este texto foi escrito pensando num craque em especial: você! Sim, você mesmo!

Vamos pensar no seu time aí de casa.

Se família é mesmo tudo igual como dizem, garanto que aí na sua casa a patroa é a dona da grande área, a goleira que fecha o gol e não deixa passar nada, que não se esquece de nenhum detalhe e segura tudo. Aquela que faz com que a casa inteira funcione (acredite, copos e pratos não pulam na pia sozinhos).

Talvez você tenha um filho cheio de energia, um atacante criativo e driblador que pedala diante dos zagueiros e os deixa no chão.

Esse time me parece muito bom e, provavelmente, não tem muita dificuldade em vencer as partidas do dia a dia, mas… de vez em quando aparece um adversário difícil pela frente e o jogo aperta.

É difícil pensar num adversário mais complicado do que um problema de saúde na família. Quem já viu um filho doente sabe bem o que estou dizendo.

Nesses momentos a bola parece queimar nos pés dos jogadores do seu time. E aí? O que você faz?

Pede substituição? Reclama que a bola está murcha ou dos buracos no gramado? Põe a culpa no Árbitro (de todos nós) que não viu a falta?

Antes de responder, olhe bem para as suas costas.

camisa 10aSim, lá está o famoso número 10! Foi assim que o Senhor te escalou (“Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. (…) O diácono deve ser marido de uma só mulher e governar bem seus filhos e sua própria casa.”1 Timóteo 3:4 e 12).

 

cafuAgora olhe para o seu braço e repare na faixa de capitão (“pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador.” Efésios 5:23).

Você é o camisa 10, que tem a missão de tranquilizar a equipe e organizar o time dentro de campo (“Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações.” 1 Pedro 3:7).

Por isso, nos momentos mais difíceis não há nada mais que você possa dizer que não seja: toca pra mim que eu resolvo!

Uma vez eu presenciei uma partida deste tipo.

Nasceu o filho de um familiar muito querido, que se mudou para outro estado, e eu liguei para parabenizá-lo.

Infelizmente as noticias não eram boas. O parto foi difícil e a clavícula do bebê foi deslocada (parece que isso acontece com certa frequência). Além disso foi diagnosticado pé torto congênito e os médicos recomendavam uma cirurgia corretiva nos primeiros dias de vida.

Era o primeiro filho do casal, “marinheiros de primeira viagem”, e a confiança na equipe médica havia sido abalada pelo deslocamento no ombro do bebê ocorrido no parto.

A mãe naturalmente estava muito sensível e irritada com a situação e esse sujeito me contava a história ao telefone em prantos enquanto ainda precisava decidir se autorizava a cirurgia.

Para os médicos quase sempre “a cirurgia é simples”, “o risco pequeno”, “o índice de sucesso é alto”, etc. Mas para o pai da criança isso não tem nada de simples, o filho não é número para ser medido em estatística de risco/sucesso.

Não havia muito o que eu pudesse fazer a não ser animá-lo e confortá-lo. Orei, respirei fundo e disse a ele a primeira coisa que veio na minha cabeça:

– Esses são os momentos que separam os homens dos meninos e você precisa ser homem!

Eu nem podia acreditar que tinha dito aquilo, pois eu o vi crescer e ainda tinha lembranças dele de menino, mas continuei:

– Quando precisar desabafar ligue para mim, chore o quanto for preciso, mas mantenha a calma na frente da sua mulher e passe segurança a ela, seja qual for a sua decisão.

Foi como se o árbitro tivesse apitado um pênalti e o time todo estava olhando para ele. O cara segurou a bola e disse: deixa que eu bato!

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. (1 Coríntios 13:11)

Depois daquele dia, o menino que eu conheci se tornou um grande homem. Ele acalmou a sua mulher, afinal macho que é macho não chora (na frente da esposa), e autorizou a cirurgia. Por graça de Deus, hoje o filho dele está bem e corre de um lado para o outro. Obrigado Senhor!

Nesta vida, todos nós somos chamados a enfrentar grandes desafios, mas se o jogo estiver difícil para a sua família, não hesite! Ore, respire fundo e diga: toca pra mim que eu resolvo!

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3 comentários para "Toca pra mim que eu resolvo!"

  1. Thamara 22 de setembro de 2011 às 12:29 am 1

    Muitoo boom inspiradoor!

  2. André Luís Lisbôa Campaneri 29 de setembro de 2011 às 12:38 pm 2

    Douglas, muito bom e de muita inspiração o texto…
    Com certeza, temos que ter firmeza em determinadas atitutes que a vida nos impõe, com a inspiração, proteção e graça de Deus.
    Gde abço.
    André.

  3. Roque 5 de outubro de 2011 às 2:04 am 3

    Douglas, tudo de bom para você e toda sua familia muito obrigado e que deus te proteja e eu sei que ele está.


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