O segredo do malandro – parte 1

Rubens era um homem de 30 anos, cristão, casado com Sônia, pai de dois filhos. Era um sujeito trabalhador, calmo e discreto, mas atencioso. Ele trabalhava no departamento de contas a pagar na mesma empresa em que Leonardo, seu grande amigo, era vendedor.

Leonardo ou Léo, como ele era chamado, tinha 32 anos, era casado com Denise e pai de uma menina. Extrovertido e brincalhão, irradiava simpatia e carisma por onde passava.

As pessoas sempre se perguntavam como dois sujeitos tão diferentes como Rubens e Léo podiam ser tão amigos. Era a prudência almoçando com a ousadia, a timidez aconselhando a simpatia, o sistemático se divertindo com as histórias mirabolantes do malandro.

Rubens era do tipo que vivia para a sua família. Todos os dias ele ia de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Reconhecidamente ele era um pai atencioso com as crianças. A vida deles era modesta, porém confortável.

Aos olhos de seus vizinhos, Rubens e Sônia formavam uma família perfeita, mas algo estava errado e ele não sabia bem o que era.

Sônia parecia estar sempre descontente com o marido. Rubens nem se lembrava mais da última vez que viu o sorriso lindo daquela mulher por quem se apaixonou.

Ele dizia que nem parecia ser a mesma pessoa. A relação esfriou, o sexo esfriou e agora ele sentia que o único papel que exercia era o de pai dos filhos de Sônia.

Numa tarde de sábado em que as crianças estavam na casa dos avós, a privacidade do casal foi a senha para uma nova discussão:

– O que está acontecendo? Por que você está sempre com cara feia? – perguntou Rubens.

– Não é nada… – respondeu Sônia.

Todos os homens casados sabem (ou pelo menos deveriam saber) que quando uma mulher diz que “não tem nada” na verdade ela tem é muito a dizer, basta reparar no seu olhar fulminante.

Talvez o silêncio seja um protesto de inconformismo do tipo “como ele pode não saber o que fez?” ou então elas podem estar apenas ganhando tempo para reunir os seus melhores argumentos.

O fato é que naquele dia Rubens não quis esperar para saber e insistiu:

– Sônia, eu já não sei mais o que fazer, você sabe que eu vivo para você e para os nossos filhos, cumpro com todas as minhas obrigações de pai e marido. – disse Rubens.

– A questão não é essa! – respondeu Sônia.

Rubens não era um bom ouvinte. Enquanto Sônia tentava lhe dizer alguma coisa ele não dava ouvido, pois já estava pensando no próximo argumento:

– Veja o caso do Léo e da Denise. Eu vivo aconselhando aquele cara, mas ele não pára em casa, vive uma vida de solteiro mesmo estando casado, bebe, fuma e chega em casa tarde! Apesar de tudo isso… (respirou triunfante) a Denise demonstra mais contentamento do que você! – comparou Rubens.

– Deve ser porque ela é amada! – disse Sônia impulsivamente.

– Você está insinuando que eu não sou homem pra você? – perguntou o furioso Rubens.

Lembremos que foi ele quem começou com isso, mas… homem detesta ser comparado, principalmente quando acha que se trata da sua masculinidade.

– Pra variar você não entendeu nada, não se trata de sexo! – exclamou Sônia.

Rubens ficou atordoado e saiu de casa batendo a porta. Retornou horas depois já trazendo as crianças. O casal não trocou nenhuma palavra além do mínimo necessário no resto do final de semana.

Acontece que neste período de aparente silêncio a cabeça de Rubens estava a mil por hora. Tudo o que ele fazia era alimentar os seus ressentimentos, pensava no quanto se sentia desvalorizado pela esposa e como parecia um verdadeiro burro de carga.

Jeremias 4.14 Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva! Até quando hospedarás contigo os teus maus pensamentos?

Amargurado com tantas discussões que não levavam a lugar algum, ele concluiu que o seu casamento não tinha mais jeito. Estava pensando em se separar, pois o importante é ser feliz!

Que conselheiro melhor do que seu amigo Léo para apoiá-lo num momento como este? Léo é que sabia mesmo desfrutar a vida e, por isso, ele aguardou ansiosamente a hora do almoço na segunda-feira para conversar com o amigo, que certamente lhe incentivaria.

Parte 2

Esta entrada foi publicada em Família e marcada com a tag , , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

4 comentários para "O segredo do malandro – parte 1"

  1. Raphael 5 de outubro de 2011 às 10:28 am 1

    Isso foi crueldade! Manda logo a continuação da história, sô!
    Abração, Raphael

  2. Priscila Rueda Criscuolo Rocha 5 de outubro de 2011 às 12:25 pm 2

    Ansiosa pela continuidade!

  3. denes cantos 5 de outubro de 2011 às 5:55 pm 3

    lindo isso heim , quando continua

  4. Lucas 5 de outubro de 2011 às 7:02 pm 4

    Oh! E agora? Quando sai o proximo capitulo?


Escreva um comentário