O segredo do malandro – parte 2

Voltar para Parte 1

Era hora do almoço, eles mal haviam se sentado  e Rubens disparou:

– Tenho uma coisa pra te falar – disse Rubens.

– Pela sua cara a coisa é séria mesmo – respondeu Léo.

– Estou pensando em me separar… – começou Rubens.

– Está maluco? – interrompeu Léo.

– Maluco não, você é que estava certo, eu preciso aproveitar a vida e ser feliz! – respondeu Rubens.

– Você só pode estar brincando? Onde está o velho Rubens chefe de família exemplar? – indagou Léo.

– Esse Rubens é uma fraude, não tenho o casamento perfeito que você imagina… – resmungou Rubens.

– O que aconteceu? – perguntou Léo.

– Não aconteceu nada, este é o problema! Simplesmente a rotina se abateu sobre nós, o relacionamento foi se desgastando e a minha mulher foi murchando dia a dia… – suspirou Rubens.

– Mas você não pode desistir assim! – exclamou Léo.

– Espere aí, afinal de contas você é ou não é meu amigo? Eu pensei que você iria me apoiar! – reclamou Rubens.

– E por acaso você me apoiou em todas as bobagens que eu pensei em fazer durante todos estes anos em que nós somos amigos? – retrucou Léo.

– Ah, mas era diferente… – disse Rubens.

– Diferente por quê? Só porque eu não sou crente? Não foi você mesmo que disse que até uma “jumenta” (Números 22.21-35) pode ser usada por Deus? Então por que não eu? – indagou Léo.

Rubens ficou um instante em silêncio sem saber o que responder.

– É que eu não esperava ser contrariado justamente por você – finalmente respondeu Rubens.

– Confie neste seu amigo aqui cara, o que exatamente está acontecendo? – perguntou Léo.

– A minha mulher diz que não se sente amada – respondeu Rubens.

– Eu faço a minha parte, minha família é prioridade absoluta, sou um homem fiel, tento ser o melhor pai que posso, tenho trabalhado o suficiente para que não falte nada em casa – desabafou Rubens enquanto Léo apenas ouvia atentamente.

– Eu me sinto como alguém que cumpre todas as suas obrigações, paga todas as suas contas em dia e mesmo assim o saldo é sempre negativo, meu nome continua no SPC da minha mulher! – prosseguiu Rubens.

– Então deixe-me fazer uma pergunta: lá no seu departamento você é responsável pelo pagamento dos fornecedores não é? – perguntou Léo.

– Sim, mas o que isso tem a ver? – retrucou Rubens.

– O que acontece se você pegar a soma exata dos pagamentos do mês e entregar tudo a um único credor? – perguntou Léo.

– Certamente os outros fornecedores irão reclamar e eu serei despedido – respondeu Rubens.

– Pois é, talvez você esteja sendo “despedido” do seu casamento exatamente por este motivo – disse Léo.

– O que quer dizer? – indagou Rubens.

– Quanto tempo faz que você não manda flores à sua mulher? Quanto tempo não a leva a um bom restaurante? – perguntou Léo.

– Não temos tido tempo nem dinheiro para isso – retrucou Rubens.

– Sim, mas e um elogio? Isso não custa nada e é rápido de fazer! – disse Léo.

– É… acho que não sou muito bom em elogios. Pelo contrário, tenho sido até bastante crítico com os erros dela – respondeu Rubens.

– É impossível conquistar uma mulher sem saber fazer um bom elogio, eu acho que você está é um pouco enferrujado! Garanto que na época do namoro você sabia muito bem como fazer isso – disse Léo sorrindo.

Cântico dos Cânticos 5.16 O seu falar é muitíssimo doce; sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, tal, o meu esposo, ó filhas de Jerusalém.

Léo só queria ajudar, mas o contrariado Rubens achou que ele estava debochando e, tomado pela ira, retrucou já alterando a voz:

– Quem você acha que é para me dar conselhos ô sabichão? Estou farto de aconselhar você a acabar com estas suas noitadas e parar de gastar dinheiro com cigarros e bebidas. Quando é que você vai crescer e se tornar um homem de verdade? Só mesmo aquela sua mulher para cair toda vez na sua conversa mole! – disse Rubens.

Fosse outra pessoa e Léo teria reagido com brutalidade, mas ele estava diante de seu melhor amigo e já tinha ouvido dele estes mesmos conselhos muitas vezes, mas nunca de forma tão direta e ofensiva.

– Se você realmente acha isso tudo de mim então não o reconheço mais como amigo – disse Léo ressentido.

Os dois não se falaram mais durante aquela semana, mas a conversa ficou martelando a cabeça de um lado e de outro.

Provérbios. 27.17 Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo.

Chegando em casa Rubens se acalmou e depois de muito pensar resolveu que iria tentar reconquistar a sua mulher. Decidiu que iria relembrar o tempo de namoro.

Na terça-feira pela manhã Sônia recebeu flores junto com um bilhete em que Rubens dizia o quanto sentia saudade do tempo em que eles se divertiam juntos e riam sem parar.

Cânticos dos Cânticos 4.9 Arrebataste-me o coração, minha irmã, noiva minha; arrebataste-me o coração com um só dos teus olhares, com uma só pérola do teu colar.

Na quarta-feira ela recebeu uma caixa de bombons da sua marca favorita e se admirou por Rubens ainda se lembrar disso.

Cânticos dos Cânticos 7.9 Os teus beijos são como o bom vinho, vinho que se escoa suavemente para o meu amado, deslizando entre seus lábios e dentes.

Na quinta-feira um convite para ir ao cinema ver uma comédia romântica do tipo que ela amava e ele detestava.

Cântico dos Cânticos 7.1 Que formosos são os teus passos dados de sandálias, ó filha do príncipe! Os meneios dos teus quadris são como colares trabalhados por mãos de artista.

Na sexta-feira uma caixa de presente em cima da cama. Dentro havia um par de sapatos que Sônia andava namorando na vitrine (sogras também podem ser boas cúmplices) e um bilhete que dizia que aqueles sapatos combinariam perfeitamente com um certo vestido preto para um jantar romântico no restaurante preferido dela. À noite eles foram jantar.

Cânticos dos Cânticos 8.7 As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado.

No sábado as crianças foram visitar os avós novamente, mas desta vez não houve briga entre o casal, muito pelo contrário.

No domingo Rubens foi à igreja com sua família. O seu sorriso era indisfarçável, só saia do rosto quando ele se lembrava da briga com o amigo intrometido e pensava em como iria fazer para se desculpar.

Ao final do culto, durante o apelo, Rubens tomou um susto e mal podia acreditar no que estava vendo.

Lá estava o seu amigo Léo, aquele mesmo que, a convite de Rubens, tinha visitado a igreja quase amarrado por duas vezes. Ele estava abraçado com a sua mulher Denise, a “irmã” Denise.

Rubens correu até lá e esperou sua vez de abraçar o amigo.

– Obrigado por não ter desistido de mim – disse Léo.

– É o Senhor quem nunca desiste de você! Eu orei muito para que esse dia chegasse – respondeu Rubens.

As sementes plantadas durante todos aqueles anos finalmente germinaram no coração de Léo e houve festa no céu!

Lucas 15.7  Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

 

PS: Caro leitor, se você teve paciência de chegar até aqui meus sinceros agradecimentos pela sua generosidade. Aproveito para recomendar, se é que você ainda não viu, que assista o filme Prova de Fogo, que trata deste mesmo tema.

PS-2: Cara leitora, se você chegou até aqui vamos fazer um trato. A parte do blog foi publicar este texto pensando em abençoar a vida do seu marido. A sua parte é encaminhar o link para ele.

Parte 1

Esta entrada foi publicada em Uncategorized. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

3 comentários para "O segredo do malandro – parte 2"

  1. Fabiana 6 de outubro de 2011 às 2:06 pm 1

    Gostaria de saber mais sobre o autor do texto. Quem é Douglas Cedro?

  2. Marcos Midea Bauléo 6 de outubro de 2011 às 2:26 pm 2

    Parabens Douglas, pelo texto tão “rico” que você nos ofertou.

  3. Eduardo 7 de outubro de 2011 às 8:25 am 3

    Obrigado Douglas pela ótima história!


Escreva um comentário