Legados distintos

Steve Jobs, co-fundador da Apple, faleceu no começo deste mês. A revista Veja da semana passada dizia que ele foi um homem para ser reverenciado daqui a 100 anos. De fato, ele foi brilhante. Um visionário que reinventou produtos, dando-lhes um novo significado. Ainda que você não consuma seus iProdutos, é impossível não reconhecer que a marca da maçã branca causou uma revolução na computação pessoal e nos costumes de nossa época. Jobs deixou um grande legado.

Pensando nisso, fui pesquisar a vida de outras pessoas que também influenciaram suas épocas e me deparei com a história de um famoso puritano.

Jonathan Edwards nasceu em 1703 e foi o único filho de Timoty Edwards, que teve mais dez filhas. Seu avô materno, Solomon Stoddard, foi um famoso reverendo norteamericano. Com ele, Jonathan Edwards aprendeu cedo o valor do trabalho e dos estudos, e aos 13 anos iniciou o curso de teologia na Universidade de Yale, onde se formou em 1720 como o primeiro da classe. Tornou-se um grande pregador.

Porém, o que mais me chamou a atenção foi seu legado. Pai de onze filhos, dedicava-lhes ao menos uma hora por dia, e quando não conseguia, acumulava criando um banco de horas.

Transmitiu a todos o caráter cristão, e o resultado pode ser visto na lista de seus descentes, elaborada por um aluno da Universidade de Princeton (que teve origem no Colégio de Nova Jersey, presidido em 1757 por Jonathan): 3 presidentes de universidades, 3 senadores, 30 juízes, 100 advogados, 60 médicos, 65 professores universitários, 75 oficiais da Marinha e do Exército, 100 pregadores e missionários, 60 escritores, 80 funcionários públicos em cargos importantes, 250 formados em universidades, entre diplomatas e governadores de estados e 1 vice-presidente dos Estados Unidos (Aaron Burr Jr., 3º vice-presidente, seu neto).

Não sei se serei lembrado por algum feito notável (talvez por criar um blog sobre hombridade!) ou como uma pessoa que marcou época, nem que legado deixarei para meus descendentes. Mas se puder escolher, prefiro ser um Jonathan Edwards ao invés de um Steve Jobs. Ambos fazem parte da história, isso é fato. Porém, suas formas de atuação na vida das pessoas foram muito distintas.

Jobs pensou diferente e criou produtos. Edwards agiu diferente e formou pessoas.

Para ser um Jonathan (pois Edward já sou!), vou me esforçar a cada dia para ser o melhor marido e pai do mundo. Ao final do meu tempo, quero ser lembrado por ter feito diferença na vida das pessoas, por ter servido a Deus e à minha família com amor e hombridade. Quero fazer minhas as palavras de George Bernard Shaw:

Quero servir bastante antes de morrer.

Quanto mais eu trabalhar, mais viverei.

Para mim, a vida não é uma vela que, rapidamente, se apaga.

Para mim, a vida é um tipo de tocha brilhante, que carrego por certo tempo, e quero fazê-la brilhar ao máximo antes de passá-la às futuras gerações.

Steve Jobs deixou uma marca. Jonathan Edwards deixou pessoas de caráter. E você, o que vai deixar para as futuras gerações?

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