A luneta, o retrovisor e os óculos

Sobre a prateleira de um brechó estavam uma luneta, um retrovisor e um par de óculos. O retrovisor, em crise, conversava com a luneta, que também não se sentia muito bem.

– Olhe só para mim! Sou um típico exemplar de coisa inútil! Só fico olhando para trás, vendo o que passou… As pessoas não me usam, pois querem sempre olhar para frente, adiante… – lamentava o retrovisor.

– E eu – disse a luneta – que só era usada para bisbilhotar a vida dos outros? O meu dono ficava olhando as janelas dos vizinhos comigo! Que sujeito mais indecente! Depois, comprou uma luneta mais potente e me abandonou!

– É sempre assim. Ou somos inúteis ou se aproveitam de nós… – concluiu o retrovisor.

Os óculos, que ouviam a conversa, decidiram interromper.

– Com licença, nós não queremos ser mal educados, mas ouvimos a conversa de vocês. Parece que a vida não foi muito boa com ambos, não é mesmo?

– E quem vocês pensam que são para nos julgar? Por acaso vocês também não está aqui por serem velhos e sem utilidade? – retrucou sem pensar a luneta.

– Sim, nós estamos bem velhos, mas nem por isso deixamos de ser úteis. Aliás, nem vocês. – responderam os óculos com um sorriso paciente.

– Olhem só, se vocês fossem tão úteis não estariam aqui, pra começo de conversa. Depois, como vocês sabem que ainda somos úteis? – perguntou o retrovisor.

– Nós estamos aqui porque nosso dono faleceu, e sua esposa decidiu nos doar para ajudar outras pessoas. Como vocês sabem, servimos para enxergar, igualzinho a vocês. Aliás, nós três formamos uma ótima equipe! Nossa função como auxiliares da visão é muito importante!

– Ora, está na cara que vocês são mesmo importantes! Quem não quer ver melhor? – perguntou irritado o retrovisor.

– Mesmo sendo importantes, muitas pessoas se recusam a usar óculos. Isso porque acham que ficarão feias, ou que serão chamadas de “quatro olhos”. Por se preocuparem demais com a opinião dos outros, deixam de ver os detalhes de uma linda flor, ou de ler um bom livro, e com isso não aproveitam o presente.

– Mas e eu? Como posso ser útil, se tudo o que enxergo já passou? – insistiu o retrovisor.

– E eu, que só servia para ver de longe a intimidade dos outros? – questionou a luneta.

– Vejam bem o que acabaram de dizer – disseram os óculos – Não percebem que já têm as resposta para suas perguntas?

– Luneta, é verdade que você ajuda a enxergar de longe. Seus ancestrais eram muito usados pelos navegadores que, do alto do mastro, gritavam “Terra à vista!” quando você os mostrava uma praia se aproximando. Era a festa para os olhos cansados dos marujos! Nas mãos da pessoa certa, sua visão do que está adiante é imensamente útil para prevenir os rochedos que estão no caminho e se preparar para as tempestades que estão chegando.

 

– Retrovisor, também é verdade que você vê a estrada e a paisagem que ficaram para trás. Mas sem você, um bom motorista não conseguiria visualizar um outro veículo se aproximando. Mesmo mostrando o que passou, você serve para planejar o futuro, dando ao motorista a informação necessária para uma ultrapassagem segura. Isso não é incrível?

O retrovisor e a luneta ficaram admirados. Como puderam se esquecer de suas funções originais e do valor que tinham? Após ouvirem as palavras dos óculos, ambos pareciam novos, reluzindo de felicidade. Decidiram então permanecerem juntos, pois como disseram os óculos, formavam mesmo um excelente time.

Moral:

Se você ficar olhando para trás, não prestará atenção ao que está adiante. Olhe para trás somente pelo tempo suficiente para evitar acidentes e siga em frente!

Olhar o que está longe deve servir para planejar sua rota, ajudando-o a desviar dos perigos e problemas que estão por vir. Mas visualize apenas a sua rota. Não perca tempo com a dos outros!

Enxergar bem o que está próximo de nós é fundamental para vivermos o presente e dar-lhe a atenção que merece. Muitas vezes só precisamos de um grau ou dois para percebermos a beleza dos momentos cotidianos.

Se estiver com dificuldades, procure um oftalmologista. Eu recomendo um que com quem me consulto frequentemente. Suas consultas são gratuitas, seu trabalho é excelente e ele não tem pressa para te atender. As lentes que ele prescreve são duradouras e o manual, inspirado por ele, é composto por 66 livros. Acredite, você passará a ver o mundo de uma maneira muito diferente, e bem melhor.

Quase me esqueci. O nome dele é Jesus, e o manual se chama Bíblia.

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