“Eu só leio os artigos…”

antiplayboyTalvez Hugh Hefner não tivesse ideia do que estava criando ao lançar a primeira edição da revista Playboy em dezembro de 1953. Ou talvez o lucro obtido com a venda de 50.000 cópias do primeiro exemplar, que trazia um calendário com a atriz Marilyn Monroe, o fez ignorar a história de seus antepassados puritanos e de seus pais, que eram protestantes, para marcar o mundo com uma revista masculina que se tornou ícone de uma cultura hedonista.

É bem verdade que a pornografia surgiu antes da Playboy. Em Pompéia, na Itália, existem pinturas antigas retratando sexualidade explícita. Em nosso país, ela está presente de forma implícita nos filmes e novelas e arraigada na cultura popular. Nosso Carnaval exalta o sexo chamando-o de “sensualidade”, como se a troca da palavra modificasse o objetivo de instigar a lascívia, mas isso é tema para outro artigo.

O fato é que a pornografia em qualquer de suas formas é um vício tão pernicioso quanto o alcoolismo ou o tabagismo. Ela escraviza o homem e o corrompe, tornando sua mente um centro de cobiça das mulheres que viu.

Uma vez instalada no lar, a pornografia começa a destruir o relacionamento conjugal. O homem passa a ficar mais tempo em busca de material pornográfico do que com sua esposa. Em muitos casos, o homem procura ter relações com sua esposa após ver pornografia, fantasiando em sua mente com as mulheres mais jovens e bonitas que viu, ou com posições sexuais que ela não aceita fazer.

Um exemplo da força devastadora da pornografia no casamento é o testemunho de Milly Katze. Ela conta como descobriu que seu marido estava envolvido com material pornográfico e os danos que isso causou ao seu relacionamento:

Meu nome é Milly Katze. Nós nos casamos três anos antes de eu encontrar a primeira revista Playboy em seu carro. Eu pedi uma explicação e ele disse: “Eu gosto dos artigos. Se isso perturba você eu não vou fazer isso de novo.” Nós estávamos indo regularmente à igreja, então eu acreditei nele, mas eu estava esmagada. Eu encontrei mais material Playboy em seu trabalho, mas é claro que ele pertencia a um de seus colegas. Eu era cristã e prometi estar com ele para o melhor ou para o pior, mas eu me senti tão sozinha.

Foram 13 anos ouvindo “Desculpe-me e eu prometo não fazer isso novamente.” Foram anos tentando fazer coisas que pudessem chamar sua atenção, como lingerie sexy, mudanças de cabelo, dietas. Eu não podia agüentar mais. Eu lhe disse que estava tudo acabado entre nós. Ele começou a chorar e confessou coisas para mim que eu nem perguntei. Ele disse que aos doze anos começou a olhar material pornográfico pertencente ao seu pai. Disse que era como um vício que apertava sua cabeça até que ele olhasse para as fotos. Ele mesmo disse que procuraria um conselheiro. Você deve saber como eu estava me sentindo horrível. “O que havia de errado comigo?”

Eu realmente não queria ter nada a ver com ele como mulher, mas tentei de novo. Senti como se tivesse morrido por dentro. Minha caminhada com Deus caiu. Deixei a vida me levar. Eu nunca parei de orar e ler a Bíblia e nem deixei de ir à igreja. Mas algo estava faltando.

Então o computador entrou em casa. Comecei a encontrar uma foto nua aqui e ali. Muitas vezes ele não vinha para a cama até às duas ou três horas e eu sabia o que estava acontecendo, mas não conseguia prová-lo. Eu tinha um amigo que me ajudou a encontrar os sites que meu marido frequentava na web. Ele estava em salas de chat pornô, pornô teen, salas de trocas de casais, pornografia homossexual e outros sites muito terríveis para citar. Fiquei indignada. Este realmente foi o fim do casamento. Para citar uma frase: “Eu quase podia sentir o vento soprar através do buraco onde antes havia meu coração”

Estava perto do meu aniversário de 63 quando o rompimento veio. Comecei tudo de novo exatamente como quando eu saí do colegial. Encontrei conforto em Salmo 91, onde diz sobre cobrindo com as suas penas. Eu literalmente imaginei Deus com grandes asas aconchegando-me debaixo delas tal como a galinha protege os seus pintinhos.

Fiquei com medo muitas vezes e tive que correr para debaixo das asas para sentir conforto. Um amigo me levou para comer e nós conversamos e rimos durante horas. Esse foi o momento crucial para a minha recuperação. Provérbios 17:22 diz que um coração alegre serve de bom remédio. Eu tive uma grande dose de medicamento aquela noite.

Nem sempre lidei com as coisas da maneira certa. E se eu soubesse naquela época o que aprendi desde então sobre o vício da pornografia? Talvez teria ajudado e talvez não. Não adianta olhar para trás. Eu preciso olhar para frente e tentar aprender com os erros cometidos. Anos se passaram e meu objetivo é começar um grupo de apoio para mulheres como eu. Quero ajudar os outros a atravessar suas dores.

Um casamento de muitos anos destruído por causa da pornografia. No começo eram revistas, depois veio a pornografia digital, impulsionada pela internet, além do surgimento e  popularização das câmera digitais mas, acima de tudo, pelo pecado.

Lembro-me quando surgiu a internet. Parecia que os portões da pornografia haviam sido escancarados, tamanha a quantidade de e-mails com fotos que recebia. Na época de faculdade, pedi a um amigo que parasse de me mandar mensagens com fotos, pois era só isso que ele mandava.

Essa conversa sobre pornografia continua no próximo artigo, onde contarei a história de restauração de um ex-produtor de conteúdo pornográfico.

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5 comentários para "“Eu só leio os artigos…”"

  1. Felipe Ferreira da Cunha 15 de novembro de 2011 às 10:05 pm 1

    Bom de mais esse artigo para HOMENS, pois isso e uma realidade em diversos lares pois a pornografia vem se estalando de forma sutil e com o tempo vai destruindo relacionamentos, casamentos e famílias esse e um assunto discutido em HOMBRIDADE pois muitos homens passam por isso e tem vergonha de buscar ajuda, amei esse texto fico aguardando o próximo

  2. Eduardo Rocha 15 de novembro de 2011 às 10:20 pm 2

    Oi Felipe! É um assunto que infelizmente atinge muitos lares cristãos, mas Deus é poderoso para libertar e restaurar. No próximo artigo eu colocarei uma história real de restauração e coragem. Aguarde! Obrigado pela visita!

  3. Raphael Machado 16 de novembro de 2011 às 12:31 am 3

    Certa vez estava ajudando em uma Campanha Evangelística (Impacto Evangelístico) em Campo do Jordão, SP.
    Estávamos com crianças, pré-adolescentes e adolescentes do Grupo Impacto (um Grupo da Rede King’s Kids – GRKK da Jocum).
    Ficamos 10 dias alojados em uma escola pública e saímos às tardes e às noites para fazermos evangelismo utilizando as estratégias de teatro e dança (não eu… minha época já tinha passado…).
    Certa noite estávamos conversando com os meninos no quarto pouco antes de dormir e estávamos falando sobre vida com Deus, pecado, restauração etc etc…
    A certa altura eu perguntei: “Posso fazer uma pergunta-bomba?” As crianças, os pré-adolescentes e adolescentes disseram que sim e ficaram todos atentos.
    Parei, respirei fundo e perguntei: “Como ‘anda’ a internet em casa? Como ‘anda’ a pornografia em sua vida?”.
    O silêncio foi geral. Todos engoliram seco, alguns abaixaram a cabeça, outros desviaram o olhar… Após uns 5 eternos segundos de silêncio, um pré-adolescente apenas fez um barulho de bomba estourando: “Puffffrrrrrfffrrr!”.
    Os rostos coraram e o ‘clima’ pesou de tal forma que apenas conseguimos fazer uma oração depois daquela pergunta.

  4. Eduardo Rocha 16 de novembro de 2011 às 12:42 am 4

    Isso dá uma ideia de como a pornografia está infiltrada nos lares, mas ninguém tem coragem para enfrentá-la. Que Deus nos fortaleça para vencermos essa batalha!

  5. Leandro Serafim 16 de novembro de 2011 às 10:17 am 5

    Muito bom o artigo!
    Participo como redator no forum de um jogo e lá coloquei um artigo com nove mentiras sobre a pornografia, como o forum é para publico de diferente faixas etárias, precisei pegar leve.
    Dá uma passada lá para ver, senão conseguir ver, envio para você por mail ou posto nos comentários.

    http://board.4story.net.br/board5-4story-v%C3%A1rios/board131-4story-jornal-de-ib%C3%A9ria/board174-8%C2%AA-edi%C3%A7%C3%A3o/1441-uma-olhada-de-perto-na-pornografia/


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