Um quarto de século

Vinte e cinco anos pode ser muito ou pouco, dependendo do ponto de referência.

Quando eu era adolescente, uma amiga minha que completara vinte e cinco anos de idade brincava dizendo já ter vivido um quarto de século, o que soava como se ela fosse quase uma anciã. Por esta ótica, vinte e cinco anos parece pouco, ainda mais com o crescente aumento da expectativa de vida.

Agora, imagine permanecer casado por vinte e cinco anos, em uma época onde o número de divórcios é bastante grande. Com a mudança do referencial, o mesmo lapso se transforma em muito tempo!

Há algumas semanas, eu e minha esposa fomos convidados para uma festa surpresa de bodas de prata. Ao chegar ao local, o casal –  ambos cristãos experimentados e líderes na igreja que frequentamos – ficou bastante emocionado. Mas não sabiam que, momentos depois, eles mesmos é que emocionariam os convidados.

Passada a surpresa, eles foram recebidos no salão por seus filhos, um casal de jovens que havia preparado uma retrospectiva com fotos familiares, como as que se vêem em casamentos hoje em dia. Antes de exibi-la, foram ditas algumas palavras que certamente marcaram todos os que estavam presentes.

O filho adolescente, bastante parecido com o pai, enfatizou-lhe o caráter ao dizer, com a voz embargada, que embora todos ressaltassem a  semelhança física entre ambos, o que realmente desejava era ter o caráter semelhante ao de seu pai. Neste momento de muita emoção, muitos já continham ou enxugavam lágrimas.

A filha, uma jovem recém-formada em jornalismo, não foi menos profunda: “Agradeço a Deus pela vida de vocês, que são exemplo para nós. Vocês são pais maravilhosos! Nossos filhos precisam conhecer vocês!”

Após a exibição do vídeo, houve um momento de renovação dos votos matrimoniais. O marido agradeceu a Deus pela vida da esposa, declarou-lhe seu amor e, em uma atitude de muita hombridade, humildemente pediu perdão pelos erros cometidos e pelas vezes que teria lhe magoado. Ela, por sua vez, proferiu palavras como poucas mulheres sabem fazer (ou tem motivos para tanto), reconhecendo que ele errou em alguns momentos, mas acertou em quantidade muito maior, e que era um homem de coração muito bom, sendo esta sua maior qualidade.

A festa prosseguiu com um jantar muito agradável e, após ter visto e ouvido tantas manifestações de respeito dos filhos e amor entre os cônjuges, fiquei imaginando eu e minha esposa no lugar daquele casal, completando bodas de prata. Naquele momento, vieram a minha mente algumas questões, as quais compartilho para reflexão do leitor:

  • Será que meu filho, que é muito parecido comigo, vai querer ter um caráter semelhante ao meu?
  • Sou eu uma pessoa agradável e amável ao ponto de minha filha dizer que os netos não poderiam deixar de me conhecer?
  • Com vinte e cinco anos de casado, a chama do meu casamento estará, não só acesa, mas tão intensa quanto no início?
  • Sou capaz de reconhecer meus erros e, publicamente, pedir perdão à minha esposa?
  • Trato minha esposa com amor e respeito, de modo que ela se sinta honrada e valorizada como mulher e tenha orgulho em expressar isso?

Se você ficou com a “pulga atrás da orelha” em relação a alguma dessas perguntas, procure reavaliar suas atitudes como homem, pai e marido, e corrija o que for necessário. Se for preciso pedir perdão a alguém de sua família, não demore em fazê-lo, afinal você não sabe o que acontecerá nos próximos vinte e cinco anos!

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2 comentários para "Um quarto de século"

  1. Priscila 15 de fevereiro de 2012 às 5:19 pm 1

    Durante a festa, quando os filhos faziam suas declarações aos pais, eu disse ao autor do texto: “Isto tudo que está acontecendo vale um artigo no blog!” Eis o artigo! Excelente.

  2. Alessandro 16 de fevereiro de 2012 às 11:32 pm 2

    Texto muito bom. Parabéns por mais esse post… Mais um maravilhoso construtor de caráter.


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