Honesto, eu?

Por Roberto Palazo

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

O desabafo de Rui Barbosa em 17 de dezembro de 1914 foi proferido após um a impunidade no Caso Satélite, que fora denifido pelo senador como “uma chacina de presos”. De lá para cá vemos cada vez mais casos de impunidade no nosso país, e por que não dizer no mundo.

Desde os grandes casos de corrupção como o mensalão, desvio de verbas públicas, contas milionárias em paraísos fiscais, enriquecimentos ilícitos, até os pequenos casos como pagamentos de propinas, isenção de parentes de funcionários públicos de impostos, suborno, entre outras práticas alimentam o pessimismo quanto ao sentimento de ser honesto.

Na Bíblia encontramos, em um texto de Hebreus, um alerta sobre o que o sentimento amargurado pode causar em nosso meio:

“nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados;” Hebreus 12:15

O sentimento de pessimismo que brota em nosso meio referente à atitude de honestidade contamina todas as camadas da população e aos poucos começamos a acreditar na mentira de que estamos sendo enganados se mantivermos a postura de honestidade.

Compramos a ideia de que devemos dar um jeito de levar vantagem com o intuito de minimizar nossas perdas. Assim, começamos subornando um guarda no trânsito, declaramos equivocadamente o imposto de renda, pagamos para ter privilégios em hospitais ou então para liberação de documentos ou mercadorias retidas em orgãos públicos.

Quando somos questionados se esses atos não são atos corruptos, logo enumeramos uma série de desculpas esfarrapadas. Geralmente justificamos empurrando a culpa para a corrupção do nosso governo e fugimos da nossa.

Porém, Jesus não nos chamou para vender mentiras que compramos de uma sociedade corrupta. Ele nos chamou para a verdade:

“Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.” Efésios 4:25

E a verdade do caráter de Jesus é de integridade e honestidade inabaláveis, e que nós como pequenos-cristos devemos seguir. Quando Jesus escolheu os seus discípulos ele não buscou homens fortes na sociedade, mas homens com o coração aberto a aprender ensinamentos do único homem incorruptível que pisou na face da Terra.

Por sermos homens que não se envergonham do evangelho, também não devemos nos envergonhar da verdade. Vivemos em uma sociedade corrupta e hipócrita, que em meio à contaminação de sentimentos amargurados prefere combater a corrupção com corrupção.

Portanto, devemos seguir o caráter de Jesus e alterar a frase de Rui Barbosa, assumindo nosso compromisso como cristãos e dizer com autoridade:

“Eu não me envergonho de ser honesto, pois sou imitador de Cristo e a graça Dele me sustenta incorruptível.”

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