Você é um homem ou um camelo?

camelo Por Roberto Palazo

A história do jovem rico, descrita nos evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas, é conhecida por todos os cristãos e até por alguns não cristãos. O jovem com uma posição social respeitada entre os judeus que corre arrependido e desesperado e se ajoelha aos pés de Jesus suplicando o que deve fazer para herdar a vida eterna. E que após ouvir a resposta do Rabi sai frustrado por não obter o que desejava.

Há muitas interpretações possíveis sobre essa passagem, mas o que mais surpreende aqui é o desespero do jovem em busca da eternidade. Tanto que ele se humilha diante de Jesus, ajoelhando-se aos seus pés e implorando pela resposta. Quantas vezes nós também não buscamos a Deus procurando respostas para nossas dores e aflições? Quantas vezes de joelhos nos prostramos e entre lágrimas clamamos para que Ele nos responda?

Só que nem sempre recebemos o que estávamos esperando, e assim como o jovem rico nós também saímos frustrados da presença de Deus. Brigamos com o Criador que mesmo lendo nossos pensamentos, e sabendo o que queremos, decide fazer diferente, decide fazer a vontade Dele ao invés da nossa.

Às vezes Deus leva um parente querido sem nossa permissão, não arranja o emprego na empresa que queremos e na época que esperamos, não trás o namorado(a) perfeito(a) no final daquele jejum dolorido, não amolece o coração dos pais mesmo com nossas orações.

Então decidimos fazer por nossa própria conta. Nós conseguiremos aquele emprego, encontraremos nossa(o) amada(o) por nossa própria conta e iremos evangelizar vomitando o evangelho a todos dizendo que estamos plantando as sementes. Não sabemos esperar a vontade de Deus, queremos fazer como Sara e dar um jeitinho para obter a nossa promessa do nosso jeito.

Nesse momento, em que deixamos nossa condição de homem dependente de Deus e queremos fazer as coisas da nossa forma, nós assumimos a postura do camelo citado por Jesus: “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (Marcos 10:25).

Nessa passagem muitas vezes nos prendemos ao símbolo da agulha, mas Ed René Kivitz nos trás um novo olhar:

“O símbolo do aforismo de Jesus não está na agulha, mas no camelo. O camelo é um símbolo de autossuficiência – um animal capaz de cruzar desertos sem se alimentar ou beber por mais de uma semana. Por causa da sua resistência à desidratação e das corcovas cheias de gordura, o camelo parece dizer: ‘Eu tenho tudo, não preciso de mais nada para atravessar os desertos’. O camelo representa aquele que se julga autossuficiente e não tem olhos para o reino de Deus. Quem acredita possuir tudo não consegue admitir suas faltas mais profundas.”

Depois de deparar-me com a reflexão de Ed René Kivitz, entendi que quando assumimos a postura de camelos nos tornamos como o jovem rico. Não satisfeitos com a resposta divina, saímos da presença de Deus e trilhamos nosso próprio caminho, seguimos nossa própria vontade e ignoramos a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Já vivi experiências marcantes em que andava como um camelo imponente pelos meus desertos, convivendo com dores e sofrimentos causados pelas minhas próprias decisões e de repente recebia a resposta divina de uma maneira inesperada e surpreendente. Ao mesmo tempo caia de joelhos, arrependido pela minha desobediência ao caminhar sozinho e entre lágrimas pedia perdão e misericórdia.

O que venho compreendendo é que Deus conhece as áreas em que somos camelos e resistimos ao agir dele, querendo fazer tudo do nosso jeito. Para o jovem rico era o apego às riquezas, mas isso pode estar em qualquer área da sua e da minha vida. E precisamos saber que, assim como Jesus pediu ao jovem rico, Ele também vai pedir a nós que entreguemos exatamente o que nos dá o conforto para seguir como camelos independentes e nos tornarmos homens completamente dependentes do Pai.

Afinal, você é um homem ou um camelo?

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